Publicado: jan 6, 2026
Escrito por: Helissa

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Um serzinho que parece muito um cogumelo, mas na verdade é a inflorescência de uma planta. Já tinha visto fotos dessa espécie pela internet, e sempre quis ver ao vivo, então foi uma alegria encontrar! E se já não tivesse algum conhecimento prévio, também acharia que era algum fungo, rs.

É da espécie Helosis brasiliensis (achei algumas informações de que Helosis cayennensis var. cayennensis é sinônimo, mas não consegui confirmar). Alguns de seus nomes comuns no Brasil são espiga-de-dragão e cupuçuca. É uma planta holoparasita que vive embaixo da terra, não tem folhas nem faz fotossíntese. Ela parasita raízes de outras plantas, obtendo delas água e nutrientes, sendo totalmente dependente disso para sua sobrevivência.

Por isso é difícil de vê-la, ela fica mais visível quando aparecem essas “bolotinhas” com escamas, que são a estrutura reprodutiva da planta. Pesquisando vi que essas estruturas são a inflorescência, um conjunto de várias flores minúsculas, grudadas na mesma estrutura, que é essa bolota que vemos. Li que as flores são difíceis de enxergar a olho nu, ficam entre essas “escamas” que dá pra ver bem nas fotos.

Por ter todas essas características, essa planta realmente lembra muito um fungo, cujo micélio também fica em geral subterrâneo e só vemos a parte reprodutiva, que é o cogumelo. Além de que a inflorescência lembra o formato de cogumelo também, até com um “estipe”. Pra completar, li que as sementes dela são minúsculas e parecem uma poeira fina, lembrando também os esporos dos fungos.

Na área que encontrei, primeiro vi as bolotas amarelas que chamaram mais a atenção (de longe achei que era um cogumelo). Quando cheguei mais perto fui vendo que tinha muitas na volta, incluindo essas com uma coloração roxa linda que era as que eu tinha visto em fotos sobre essa espécie.

Fui vendo que nessa área tinham as inflorescências em todos os estágios: ela surge com essas “escamas” rosadas/roxas protegendo as flores minúsculas, depois perde as escamas e fica só a “bolota” amarela, por fim as sementes amadurecem e a “bolota” escurece ao final do ciclo, ficando preta.

Essa espécie ocorre em vários estados do Brasil e é considerada rara e apontada como vulnerável em algumas listas regionais. Enfim, um encontro super interessante com essa planta diferentona!

📸 Registro feito em 05/01/26 em São Francisco de Paula, Rio Grande do Sul – Serra Gaúcha.

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