Um belo encontro com essa espécie linda, Macrolepiota pulchella! Primeira vez encontrando por aqui. Estava crescendo em um barranco, embaixo de um tronco de árvore caído, bem escondido e de difícil acesso, mas felizmente o marido conseguiu enxergar e pegar ele. Enquanto ele fazia isso eu estava fotografando um Mycobonia flava que estava em um tronco ali perto, rs.



Primeiro eu não sabia “quem” era, mas vendo de perto e fotografando, eu me lembrei de algo que já tinha visto fotos pelo Instagram ou iNaturalist, uma espécie de Macrolepiota que eu não lembrava o nome. Chegando em casa, pesquisando e postando lá no iNat eu vi que era essa espécie, Macrolepiota pulchella, e já tive duas confirmações.
Pelo que pesquisei e vi lá no iNat, ela foi registrada apenas no Brasil até agora, ocorrendo na Mata Atlântica dos estados do Sul e Sudeste.
Características do cogumelo Macrolepiota pulchella
Ele é bem menor que várias outras espécies de Macrolepiota que já encontrei por aqui, como o M. capelariae por exemplo. Esse tinha 14 cm de altura, e 8 cm de diâmetro do chapéu. Ele estava crescendo no interior de mata de araucária, em um local super sombreado.


Essa espécie tem uma cor escura, meio cinza, marrom, até um puxado pro violeta. Difícil descrever, rs. As escamas escuras no chapéu formam um belo “design”, o estipe é desse mesmo tom escuro e possui um anel. A parte de baixo (himenóforo) possui lamelas brancas, que não encostam no estipe, e a base dele possui uma volva (estrutura em forma de “saco”, sendo um resquício do véu universal que protegia o cogumelo jovem).
A presença da volva na base não é comum nesse gênero, por isso ajuda a identificar essa espécie, e outras espécies dentro da seção Volvatae. Na hora nem notei isso, mas depois lendo sobre essa característica fui observar nas fotos e vi a volva bem nítida mesmo.



Por sinal, nesse mesmo dia encontramos outro cogumelo bem parecido, a uns 600 m de distância. Porém, ele estava mais velho, e eu não notei se tinha a volva e as fotos que fiz infelizmente também não mostram esse detalhe. Mas comparando com todas as outras características parece muito que era a mesma espécie mesmo.
Provando o cogumelo Macrolepiota pulchella
Como ele não é um cogumelo muito comum, não há tantos registros de comestibilidade pra ele, mas achei esse Reels de dois pesquisadores da funga (@cogumenolli e @maridrewinski) comendo ele, e mencionando que o @mantiqueirafungi também já comeu, então parece que é comestível sim.


Por ser Macrolepiota já imaginava que podia ser comestível (muitas espécies do gênero são), então coletamos ele e depois de encontrar essas informações acima resolvemos provar também. Mas como ele é bem pequenino e se come só o chapéu pois o estipe é pura fibra, só dá pra degustar mesmo.
Refoguei bem rapidinho na frigideira só com um um pouco de óleo e sal, para sentir bem o sabor. É gostosinho, parecido com outros Macrolepiota, mas realmente só um assim não vale a pena a coleta, foi mais para matar a curiosidade mesmo. Enfim, foi um prazer encontrar essa espécie nova pra nós!
⚠ Nunca experimente cogumelos desconhecidos só por comparações de fotos, pesquise a fundo e procure sempre confirmação das ids com micólogos e outros especialistas no assunto.
📸 Registro feito em 15/01/2026 em São Francisco de Paula, Rio Grande do Sul – Serra Gaúcha.
Referências e Links Úteis
- Volvate Macrolepiota from Brazil: M. dunensis sp. nov., M. sabulosa var. velistellaris var. nov., and observations on M. pulchella
- Macrolepiota pulchella | iNaturalist


