Um cogumelo comum de ocorrer em quintais, jardins e gramados públicos em grande parte do Brasil, é uma espécie “venenosa” (tóxica). Chlorophyllum molybdites é seu nome científico, também conhecido como “Chapéu de cobra” (nome comum genérico para vários cogumelos parecidos) ou Green-spored parasol em inglês (entre outros nome como “Vomiter”, que deixa claro um dos seus efeitos). É mais comum no Sul e Sudeste do Brasil no bioma Mata Atlântica, mas existem registros dele também em outras regiões e biomas brasileiros.

O que o torna mais “perigoso” na verdade é a sua semelhança com alguns cogumelos comestíveis, principalmente os do gênero Macrolepiota. Isso faz com que as pessoas coletem e consumam por engano. Essa espécie ocorre em grande parte do mundo, e é o principal cogumelo responsável por intoxicações em vários países, pois como no Brasil, são comuns e ocorrem em áreas urbanas.
Embora popularmente chamados de venenosos, esses cogumelos são considerados tóxicos do ponto de vista científico, pois produzem toxinas que causam intoxicação quando ingeridas.
Sintomas de intoxicação por Chlorophyllum molybdites

Os sintomas ao ingerir essa espécie são basicamente gastrointestinais, como vômitos, diarreia intensa e dores abdominais (às vezes graves), causando também fraqueza e desidratação. Eles ocorrem geralmente de 1 a 3 horas após o consumo, e tem uma duração de 12 a 24 horas, podendo em alguns casos se estender a 48 horas. Registros de morte por esse cogumelo são extremamente raros, ocorrendo principalmente em crianças pequenas e cães.
Em caso de suspeita de intoxicação por cogumelos, procure atendimento médico imediatamente e entre em contato com o Disque-Intoxicação (0800 722 6001). É recomendado não induzir vômitos nem utilizar tratamentos caseiros. Sempre que possível, leve informações ou imagens do cogumelo ingerido para auxiliar a equipe de saúde.
Para evitar todos os sintomas desagradáveis acima, é importante nunca ingerir um cogumelo selvagem sem ter certeza de sua identificação, procurando confirmação de especialistas.
Como identificar o cogumelo Chlorophyllum molybdites
Essa espécie pode ser confundida com cogumelos do gênero Macrolepiota que são comestíveis, como Macrolepiota bonaerensis, por exemplo. Ambos são brancos, com escamas no chapéu e anel no estipe, e lamelas na parte de baixo.

A principal característica que ajuda a diferenciar é que o Chlorophyllum molybdites tem esporos esverdeados, então quando o cogumelo vai ficando maduro as lamelas na parte de baixo ficam com uma coloração acinzentada a esverdeada. Se o cogumelo estiver ainda muito jovem não dará para notar essa diferença, mas em geral essa espécie cresce em grupo então procure verificar a parte de baixo do cogumelo mais maduro possível. Se ainda tiver dúvidas e estiver curioso, dá pra coletar um e levar para casa, fazendo um carimbo de esporos para checar.
O habitat também ajuda a diferenciar: os Macrolepiota crescem em geral em áreas rurais como campos e bordas de mata e o Chlorophyllum molybdites em áreas urbanas como jardins e gramados. Outras características de identificação são bem mais detalhistas e variáveis, e iniciantes podem não notar bem, como as escamas do chapéu do Chlorophyllum molybdites serem mais irregulares (mas podem estar ausentes também devido a chuvas ou idade), por exemplo.

Eu nunca encontrei essa espécie por aqui, talvez não seja tão comum na Serra pois já vi vários registros em áreas de menor altitude aqui do Rio Grande do Sul. Por isso ao longo do post usei algumas imagens do Wikimedia Commons para ilustrar esse cogumelo. Para ver mais imagens dele, dá pra conferir as observações no iNaturalist também, link abaixo.
Por fim, lembre-se de nunca consumir cogumelos silvestres se não tiver certeza da identificação, é sempre melhor prevenir do que remediar.
Referências e Links Úteis
- Novos dados de ocorrência do cogumelo tóxico Chlorophyllum molybdites (Basidiomycota, Agaricaceae) na região amazônica brasileira
- Chlorophyllum molybdites | Wikipedia
- Chlorophyllum molybdites | iNaturalist
- Toxinas dos Cogumelos | Centro de Vigilância Epidemiológica – CVE


